A igreja gelada estava já quase cheia quando entrámos. Os avós no banco habitual e mesmo ao lado estão vagos os lugares onde nos costumamos sentar (hoje estivemos em Fátima).
Incomoda-nos a todos o frio, incomoda-nos aos dois o desassossego do F e da I, incomoda-me a brancura gélida de uma coluna com mais de 1m de largura a escassos cm do meu nariz.
Não vejo o altar, não vejo o padre. Não, mentira! Olhando na diagonal para a frente da igreja avisto um écran, que me permite acompanhar os gestos do celebrante e ajudantes. Se levantar a cabeça na direcção do pilar pálido e gélido de calcário, mesmo a dois palmos dos meus olhos, também tenho a missa na televisão (ou a televisão da missa!) Confirmo que há mais espalhadas pelo templo. (modernização da igreja? E o frio que não se aguenta!...)
A minha atenção fugidia e intermitente presta-se a divagações descontextualizadas. Mais uma vez me vou martirizando... não estou a participar da missa! Continuo lá! Penso: “ Este ecrã... para quê?” Os meus olhos não procuram símbolos nem imagens, detêm-se agora num aparelho da tecnologia mais avançada.
“Vigiai”- dizia o Envangelho do 1º do Advento. Hoje só vigio o ecrã (o que dizia o Envagelho de hoje? – quando chegar a casa vou ler o Evangelho do Quotidiano – a tecnologia, agora ao meu serviço!).
Estou incomodada e a minha concentração descontínua, ora no ecrã, ora no que ouço, vai sendo desviada para o F. que não pára.
Saio da igreja – nariz congelado (deve ter sido da proximidade do calcário...) e penso que esta (missa) não conta!
Ao almoço, com a família, uma tia comenta a beleza do cântico de acção de graças. “O que achaste, M.?” Envergonho-me e menciono o ecrã. “Sabes, nem olho para lá!” disse a tia. “Agora, o cântico, até me arrepiou!”
Não volto a sentar-me ali!! Já sei porque estava vaga aquela cadeira.
Esta (missa) contou, conta sempre! Valeu a comunhão, pedi mais uma vez que em breve seja Natal, até porque, em jeito de recado para mim, as palavras finais do Sr. Pe. R. foram exactamente essas e eu ouvi-as bem:
“Que em breve seja Natal nos nossos corações!”
Malucas
1 comentário:
Malucas
Mesmo que não vejamos todos o mesmo ecrã, ainda assim podemos ter Natal nos nossos corações.
Bj e obrigado pela partilha
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